“Aqueles que renunciam à liberdade em troca de promessas de segurança acabarão sem uma nem outra”

Chega de jornadas exaustivas, chega de realizar o sonho do outro, encontre o seu propósito e trabalhe fazendo o que ama, sem hora pra chegar, sem roupas formais, crie a sua própria rotina profissional e finalmente trabalhe naquilo que você acredita!

Lendo assim, até parece aqueles anúncios de “ganhe dinheiro dormindo”. Mas essa é a fantasia que pregam na cabeça de desempregados ou insatisfeitos com o mercado profissional. Empreender virou moda, ou necessidade, num país com 12,3 milhões de desempregados (dados da PNAD contínua 30/06/20).

Na verdade, eu acho que viver é empreender, empreender a própria vida, os próprios sonhos. Mas voltando ao tema profissional, o empreendedorismo foi lançado nos últimos anos como um sonho possível de ser realizado, e até hoje vemos perfis sensacionalistas que impulsionam esse sonho em troca de likes e consultorias. Mas na vida real, a realidade é completamente oposta da expectativa criada nas redes sociais.

As jornadas exaustivas permanecem, muitas vezes até piores do que no ambiente corporativo, pois a ideia de ser o próprio chefe cria inconscientemente uma necessidade de se trabalhar mil vezes mais, até porque existe uma cultura de quanto mais a gente trabalha maior é o nosso resultado. Mas isso funciona mesmo? Ou essa cultura foi criada apenas para nos tornarmos profissionais mecanizados influenciados pela revolução industrial? Talvez esse seja um outro tema relevante de se abordar também, mas não agora.

Liberdade ou auto-opressão, quando você assiste um documentário como o “Estou me guardando para quando o carnaval chegar” você percebe que aquelas pessoas não tem nada de livres, pelo contrário, elas passam quase 24 horas por dia coladas numa calça jeans para garantir o sustento do mês, o que é possível de comparar com a uberização dos empregos e os entregadores do ifood.

O empreendedorismo até pode ser comparado ao totalitarismo, pois você não trabalha para uma empresa, nem pra um chefe carrasco específico, sendo que você se tornou esse próprio chefe carrasco, incentivado e inspirado por vários outros chefes carrascos da internet que te impulsiona a trabalhar cada vez mais. Mas nessa competição de quem trabalha mais, quem realmente consegue atingir a liberdade de viver com dignidade nessa sociedade? No final, você percebe que está tão cansado da exaustão que criou para si mesmo, que nem consegue lembrar quem você era antes disso tudo, nem se isso tudo está sendo realmente libertador e seguro.

Mas afinal, existe alguma segurança no Novo Mundo?

Designer de moda especializada em Upcycle, Ecofeminista e Ativista. Pós-Graduanda em Ciências humanas. Radical, Questionadora, Utópica e Rebelde.

Designer de moda especializada em Upcycle, Ecofeminista e Ativista. Pós-Graduanda em Ciências humanas. Radical, Questionadora, Utópica e Rebelde.