“O Gambito da Rainha”

Ontem maratonei a série “O Gambito da Rainha”. Eu adoro séries protagonizadas por mulheres, sobretudo mulheres fora dos contextos sociais predominantes.

Beth é uma menina branca, órfã, perdeu os pais com 8 anos e morou no orfanato até os 14. Ela é muito inteligente, não gosta de bonecas e foi no porão do orfanato ao lado do zelador, que descobriu seu talento para jogar xadrez. É interessante se pensar, que a série muda os estereótipos de uma menina de 8 anos logo no começo; não gostar de bonecas, ter uma inteligência extraordinária e jogar xadrez, coisa que se nos anos 60 era considerada anormal para uma garota, por incrível que pareça, é assim até os dias de hoje.

No início a série prende o telespectador com a sagacidade da personagem, a relação com o zelador do orfanato e a amiga Jolene. Logo depois a jovem é adotada por uma família padrão dos EUA daquela época, e logo percebe o machismo disfarçado de matrimônio. Sua mãe adotiva sofre com o desdém do marido e faz o papel da mulher satisfeita, por ter uma casa para morar e cuidar, bem padrão família americana feliz nos anos 60. Também é muito cativante acompanhar a relação das duas, que vai se fortalecendo ao longo da trama.

Embora alguns homens tenham passado pela vida da personagem, Beth derrotou todos eles no tabuleiro, sem dó nem piedade. Se desenvolveu praticamente sozinha, estudou e devorou os livros, que é uma outra coisa difícil de ser explorada na telinha.

Beth tem uma caída para a autodestruição, mas ainda assim ela consegue sair dessa com a ajuda da amiga. Também é inspirador ver a amizade inter-racial na trama. Beth reconhece seus privilégios de cor, sobretudo por ter sido adotada antes de Jolene, as duas se separam durante um tempo, mas depois é a sororidade feminina que salva Beth. Também é lindo de assistir isso acontecendo entre uma mulher negra e uma branca, até porque não foi a branca que salvou a negra, e sim a negra que salvou a branca, e isso também quebra o padrão da branca salvadora.

Bem, não vou falar muito mais, apenas que é muito inspirador assistir uma garota órfã conquistar sua independência, com muita inteligência e coragem.

Designer de moda especializada em Upcycle, Ecofeminista e Ativista. Pós-Graduanda em Ciências humanas. Radical, Questionadora, Utópica e Rebelde.

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